Existem filmes que  são capazes de emocionar e transformar o seu tempo espaço com tamanha delicadeza que se tornam inesquecíveis.

A animação “O menino e o mundo” faz parte deste seleto grupo.

Premiado no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo de 2013, “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu é um filme único, seja pela sua estética, seja pelo tema ou pela abordagem.

Ao contrário dos exageros de tantas animações recentes, aqui se prima por uma estética simples que ganha vida com suas cores vibrantes e com a criatividade de seu roteiro.

Escrito, dirigido e montado por Abreu, o longa acompanha a jornada do Menino à procura do pai que saiu de casa em busca de melhores condições de vida para a família.

O ponto de vista do filme nunca abandona o olhar ingênuo do Menino, que assiste a tudo sem compreender direito todas as implicações dos fatos que observa, e, nesse sentido, serve com um sinal de alerta para as crianças sobre sua realidade presente.

É um filme para o público infantil, mas, não apenas. Há o lúdico, o ingênuo e engraçado, que vai falar direto às crianças. Contudo, é também um filme político e ambiental, pois na trajetória do protagonista atravessam-se os diversos estágios que o capitalismo conheceu ao longo dos séculos.

A animação transcorre praticamente sem diálogos – algumas frases são faladas de trás para frente, como o nome do protagonista Oninem – contudo, os sons são fundamentais para contribuir na expressão dos sentimentos e na evolução da trama.

A trilha sonora, composta por Gustavo Kurlat e Ruben Feffer, conta com a participação de Emicida, Naná Vasconcelos, GEM – Grupo Experimental de Música e Barbatuque.

Com “O Menino e o Mundo”, Abreu fez um pequeno milagre, um manifesto necessário e instigante que merece ser duradouro e visto por crianças e adultos.

Ponto de Sincronia indica.

Assistam porque vale muito a pena!