cuidar12Uma das palavras que mais tem se falado nos últimos tempos na área da medicina é sem dúvida a humanização. Parece pleonasmo, afinal o foco da profissão médica é o indivíduo, o ser humano, mas não é.

No Brasil, sabemos que os hospitais públicos são caóticos e hostis, e, por isso, muitas vezes médicos e enfermeiros tem uma relação distante com seus pacientes.

A tecnologia também, ao passo que vem salvando vidas mais e mais ao longo dos anos, também favorece o distanciamento entre médico e paciente, onde o número de processos judiciais vem crescendo exponencialmente a respeito do mal atendimento, e pacientes se queixam de que não passam de número de um diagnóstico.

Mas a notícia boa é que iniciativas de humanização na medicina vem acontecendo ao redor do Brasil, como mostraremos por aqui.

Uma delas foi idealizada pelo fotógrafo André François, que percorreu o Brasil inteiro registrando as relações entre médicos, pacientes, profissionais de saúde, familiares, dentro e fora do ambiente hospitalar registar o cuidar – aquele instante sutil no qual um ser conforta o outro, independente da técnica e do saber médicos envolvidos. O resultado é o livro-documentário “Cuidar”, com 110 imagens que registram esses belos momentos.

“Era preciso transformar as milhares de imagens no livro com certa sobriedade, porém sem deixar se levar pelo lado do drama ou da tragédia. O fotógrafo é um instrumento de comunicação entre os povos, um mediador entre dois olhares. Minha missão foi tornar as histórias daquelas pessoas mais vivas”, explica François.
Em 2011 foi lançado um aplicativo para iPad que tem informações sobre o livro e vídeos do making of do projeto e entrevistas com o autor, para fazer o download gratuito clique aqui.
Conheci François e seu estúdio há cerca de 10 anos, quando redes sociais e apps não faziam parte de nosso cotidiano. Suas imagens em preto e branco influenciaram profundamente todo estudo que desenvolvi sobre bioética do cuidado. Fico muito feliz em vê-lo divulgando isso neste admirável mundo novo  que vivemos. Mudam os meios. Permanece o espírito.