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Ainda na linha das reflexões sobre o assunto do licenciamento ambiental, compartilho com vocês um documentário polêmico sobre a antiga disputa do Setor Noroeste em Brasília, também conhecido como “Santuário dos Pajés”, uma área de proteção ambiental, com nascentes e rica fauna e flora.

De um lado está a comunidade indígena Fulni-o Tapuya, que afirma residir no local há mais de 40 anos e batalha pelo reconhecimento e demarcação da terra. Do outro, as empreiteiras Emplavi, Brasal e todo o poder político do governo do DF, interessados em erguer o mais novo e cobiçado bairro de classe média alta de Brasília, onde o metro quadrado custa em torno de R$ 8 mil.

Sagrada Terra Especulada(A luta contra o Setor Noroeste) Documentário – 70min from Coletivo Muruá on Vimeo.

Na condição de quem conscientemente observa, a análise que fica é: há algum tempo o Governo Federal brasileiro está extremamente preocupado em regionalizar os mecanismos de verificação dos conflitos ambientais e problemas a eles relacionados. Até porque, em um país continental como o que vivemos, essa centralização, imaginada a princípio, é praticamente impossível.

Tal postura é louvável em casos onde esta partilha conduz à maior celeridade e presteza na resolução das questões levantadas.
Contudo, é preciso pontuar que matérias complexas tecnicamente e que englobam muitas vezes interesses não somente locais, realmente precisam de apreciação federal.

Isto porque, no Brasil, quantos estados possuem conselhos estaduais bem consolidados para apreciação inicial destes temas? Os estados do sul e sudeste? E a intervenção federal, onde isto ainda não existe, é eficaz o suficiente? Ou os slogans do consumo sustentável e das construções ecologicamente corretas são meros argumentos de manipulação de interesses econômicos e retórica política?

O olhar precisa manter-se crítico. Sempre.